sexta-feira, 18 de março de 2016

Disciplina de Sociologia Seção 1 – Unidade II

2º ano EJA

4ª ATIVIDADE

Disciplina de Sociologia

Seção 1 – Unidade II

Vivendo juntos: na interdependência

Nós, os seres humanos, dependemos uns dos outros.


Figura 1: Mãe e filho – O primeiro contato do bebê com o mundo social.

Ao nascer, o bebê é um ser frágil que desconhece o funcionamento do mundo e depende dos adultos para suprir as suas necessidades básicas. Com o tempo, aprendendo a linguagem de sua espécie com os outros seres humanos, a criança ganha certa independência e passa a realizar muitas atividades sozinha. Deste modo, na medida em que cresce e chega à vida adulta, espera-se que a dependência dela em relação aos outros vá diminuindo e, por outro lado, aumente a sua individualidade. Contudo, devemos nos lembrar de que, muito embora o nosso grau de autonomia possa aumentar com a passagem do tempo, a nossa dependência em relação aos outros, a sociedade, sempre existirá.
Então, quando falamos da interdependência em sociedade, estamos nos referindo a um conjunto de relações, papéis, valores, normas e expectativas que envolvem o indivíduo desde o seu nascimento, ou seja, o lugar que ele ocupará e as relações que estabelecerá na dinâmica da estrutura social. Afinal, não vivemos absolutamente sozinhos e, nem se quiséssemos, conseguiríamos.

“Vamos imaginar, como símbolo da sociedade, um grupo de bailarinos que execute uma dança de salão, como a française ou a quadrilha, ou uma dança de roda do interior. Os passos e mesuras, os gestos e movimentos feitos por cada bailarino são todos inteiramente combinados e sincronizados com os dos
demais bailarinos. Se qualquer dos indivíduos que dançam fosse considerado isoladamente, as funções de seus movimentos não poderiam ser entendidas.A maneira como o indivíduo se comporta nessa situação é determinada pelas relações dos bailarinos entre si. Dá-se algo semelhante com o comportamento dos indivíduos em geral. Quer se encontrem como amigos ou inimigos, pais ou filhos, marido e mulher ou fidalgo e servo rei e súditos diretor e empregados, o modo como os indivíduos se portam é determinado por suas relações passadas ou presentes com outras pessoas.” (NORBERT ELIAS, 1994, ps. 25-26).

Todos os dias, nós enfrentamos desafios que nos levam a perceber o quanto dependemos das outras pessoas na vida social. Por exemplo, quando entramos em uma nova escola, conseguimos o primeiro emprego, começamos a namorar, perdemos um ente querido, mudamos de casa e envelhecemos. Note que, muito embora possamos usar de nossa liberdade para fazer as escolhas que nos interessam, em alguma medida, sempre dependemos das outras pessoas para que as nossas escolhas sejam bem sucedidas.


Papéis sociais: quais são os nossos?

Como vimos anteriormente, desde que nascemos, somos levados por nossos familiares, conhecidos e desconhecidos a participar do universo da linguagem. Encontramos um mundo repleto de valores, normas, regras e costumes construídos pelas gerações anteriores. Essas gerações nutrem expectativas em relação a nós. Elas esperam que desempenhemos papéis nas mais diversas instituições que existem: família, escola, igreja, trabalho, entre outros. Assim, em nossa realidade, para onde quer que o indivíduo vá ou pense ir, estará sempre lidando com as ordens e orientações institucionais.

“O processo de formação de nosso self e de como nossos instintos podem ou não ser suprimidos costuma ser denominado socialização. Somos socializados – transformados em seres capazes de viver em sociedade – pela internalização das coerções sociais. Considera-se que estamos aptos para viver e agir em grupo quando adquirimos as competências para nos comportar de maneira aceitável e, então, somos considerados livres para assumir a responsabilidade de nossas ações. Quem são, porém, aquelas pessoas significativas com as quais interagimos e que, assim, nos socializam?” (BAUMAN, 2010).

Self - Palavra inglesa utilizada para se referir ao eu. No caso da Sociologia, o self é fruto de nossas relações com as outras pessoas.

Essas instituições sociais buscam controlar a conduta dos indivíduos, de modo que todos sigam os padrões estabelecidos pelas ideias dominantes dentro delas. Apanhemos como exemplo a instituição da família. Durante muito tempo, em nossa sociedade, onde predominou o modelo de família patriarcal, as relações de gênero estabeleciam que caberia ao homem o papel de ser o provedor e a mulher a de ser a cuidadora. Certo?

Ao longo do tempo, com a dinâmica da história, a nossa realidade social vem sendo marcada por transformações e permanências. Dentre as transformações vivenciadas, as que mais chamam a atenção dos estudiosos são as que dizem respeito aos novos papéis assumidos pela mulher. Basta olharmos a nossa volta. Hoje, veremos cada vez mais mulheres trabalhando, sendo chefes de família e participando da política. Contudo, dentre as permanências, podemos destacar que a conquista dessa liberdade não tem sido fácil, pois muitas mulheres que trabalham fora ainda se veem obrigadas a cuidarem sozinhas dos afazeres domésticos, ou seja, a realizarem uma dupla jornada de trabalho. Sem falar que, muito embora a mulher seja reconhecida como igual ao homem perante a lei, na prática, ainda recebem menores salários, ocupam menos cargo político e são moralmente mais oprimidas.

Assim, não se trata apenas de nascer no mundo – de se adaptar a um mundo já pronto e simplesmente naturalizá-lo –, mas também de nascer para o mundo, de explorar as suas infinitas possibilidades e recriá-lo constantemente. É nesse sentido que as novas gerações vão reproduzindo, mas também modificando, o que recebem das gerações anteriores. E isso se faz em meio a negociações, aprendizados, compartilhamentos e conflitos. Afinal, aprendemos muitas coisas com as pessoas mais velhas de nossas famílias e, em muitas coisas, também discordamos deles, pois tentamos fazer à nossa maneira. Não é mesmo?

Ao longo de nossas vidas estamos sempre no campo das instituições: a família, a escola, a igreja, o clube, o trabalho, o Estado, só para citar algumas. Se você observar melhor, todas essas instituições são formadas por relações sociais. Essas relações seguem um conjunto de regras. Por sua vez, de acordo com as regras, os participantes dessas relações esperam um dos outros determinados tipos de comportamento. No entanto, nem sempre as pessoas se comportarão de acordo com o que as outras esperam. Não é mesmo? Neste sentido, conforme propõe o sociólogo Peter Berger (2004) a instituição pode ser entendida como “um padrão de controle, ou seja, uma programação da conduta individual imposta pela sociedade". Pense nisso!

* Este material é uma adaptação dos Módulos produzidos pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro intitulado “Ciências Humanas e suas tecnologias” de autoria da CECIERJ

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