2º ano EJA
4ª ATIVIDADE
Disciplina de
Sociologia
Seção 1 –
Unidade II
Vivendo juntos:
na interdependência
Nós,
os seres humanos, dependemos uns dos outros.
Figura
1: Mãe e filho – O primeiro contato do bebê com o mundo social.
Ao
nascer, o bebê é um ser frágil que desconhece o funcionamento do mundo e
depende dos adultos para suprir as suas necessidades básicas. Com o tempo,
aprendendo a linguagem de sua espécie com os outros seres humanos, a criança
ganha certa independência e passa a realizar muitas atividades sozinha. Deste
modo, na medida em que cresce e chega à vida adulta, espera-se que a
dependência dela em relação aos outros vá diminuindo e, por outro lado, aumente
a sua individualidade. Contudo, devemos nos lembrar de que, muito embora o
nosso grau de autonomia possa aumentar com a passagem do tempo, a nossa
dependência em relação aos outros, a sociedade, sempre existirá.
Então,
quando falamos da interdependência em sociedade, estamos nos referindo a um
conjunto de relações, papéis, valores, normas e expectativas que envolvem o
indivíduo desde o seu nascimento, ou seja, o lugar que ele ocupará e as relações
que estabelecerá na dinâmica da estrutura social. Afinal, não vivemos
absolutamente sozinhos e, nem se quiséssemos, conseguiríamos.
“Vamos imaginar,
como símbolo da sociedade, um grupo de bailarinos que execute uma dança de
salão, como a française ou a quadrilha, ou uma dança de roda do interior. Os
passos e mesuras, os gestos e movimentos feitos por cada bailarino são todos
inteiramente combinados e sincronizados com os dos
demais
bailarinos. Se qualquer dos indivíduos que dançam fosse considerado isoladamente,
as funções de seus movimentos não poderiam ser entendidas.A maneira como o
indivíduo se comporta nessa situação é determinada pelas relações dos
bailarinos entre si. Dá-se algo semelhante com o comportamento dos indivíduos
em geral. Quer se encontrem como amigos ou inimigos, pais ou filhos, marido e
mulher ou fidalgo e servo rei e súditos diretor e empregados, o modo como os
indivíduos se portam é determinado por suas relações passadas ou presentes com
outras pessoas.” (NORBERT ELIAS, 1994, ps. 25-26).
Todos os dias,
nós enfrentamos desafios que nos levam a perceber o quanto dependemos das
outras pessoas na vida social. Por exemplo, quando entramos em uma nova escola,
conseguimos o primeiro emprego, começamos a namorar, perdemos um ente querido,
mudamos de casa e envelhecemos. Note que, muito embora possamos usar de nossa
liberdade para fazer as escolhas que nos interessam, em alguma medida, sempre
dependemos das outras pessoas para que as nossas escolhas sejam bem sucedidas.
Papéis sociais:
quais são os nossos?
Como
vimos anteriormente, desde que nascemos, somos levados por nossos familiares,
conhecidos e desconhecidos a participar do universo da linguagem. Encontramos
um mundo repleto de valores, normas, regras e costumes construídos pelas
gerações anteriores. Essas gerações nutrem expectativas em relação a nós. Elas
esperam que desempenhemos papéis nas mais diversas instituições que existem:
família, escola, igreja, trabalho, entre outros. Assim, em nossa realidade,
para onde quer que o indivíduo vá ou pense ir, estará sempre lidando com as
ordens e orientações institucionais.
“O processo de formação de nosso self e
de como nossos instintos podem ou não ser suprimidos costuma ser denominado socialização.
Somos socializados – transformados em seres capazes de viver em sociedade –
pela internalização das coerções sociais. Considera-se que estamos aptos para
viver e agir em grupo quando adquirimos as competências para nos comportar de
maneira aceitável e, então, somos considerados livres para assumir a
responsabilidade de nossas ações. Quem são, porém, aquelas pessoas
significativas com as quais interagimos e que, assim, nos socializam?” (BAUMAN,
2010).
Self - Palavra inglesa utilizada para
se referir ao eu. No caso da Sociologia, o self é fruto de nossas
relações com as outras pessoas.
Essas
instituições sociais buscam controlar a conduta dos indivíduos, de modo que
todos sigam os padrões estabelecidos pelas ideias dominantes dentro delas.
Apanhemos como exemplo a instituição da família. Durante muito tempo, em nossa
sociedade, onde predominou o modelo de família patriarcal, as relações de
gênero estabeleciam que caberia ao homem o papel de ser o provedor e a mulher a
de ser a cuidadora. Certo?
Ao
longo do tempo, com a dinâmica da história, a nossa realidade social vem sendo
marcada por transformações e permanências. Dentre as transformações
vivenciadas, as que mais chamam a atenção dos estudiosos são as que dizem
respeito aos novos papéis assumidos pela mulher. Basta olharmos a nossa volta.
Hoje, veremos cada vez mais mulheres trabalhando, sendo chefes de família e
participando da política. Contudo, dentre as permanências, podemos destacar que
a conquista dessa liberdade não tem sido fácil, pois muitas mulheres que
trabalham fora ainda se veem obrigadas a cuidarem sozinhas dos afazeres
domésticos, ou seja, a realizarem uma dupla jornada de trabalho. Sem falar que,
muito embora a mulher seja reconhecida como igual ao homem perante a lei, na
prática, ainda recebem menores salários, ocupam menos cargo político e são
moralmente mais oprimidas.
Assim,
não se trata apenas de nascer no mundo – de se adaptar a um mundo já pronto e
simplesmente naturalizá-lo –, mas também de nascer para o mundo, de explorar as
suas infinitas possibilidades e recriá-lo constantemente. É nesse sentido que
as novas gerações vão reproduzindo, mas também modificando, o que recebem das
gerações anteriores. E isso se faz em meio a negociações, aprendizados,
compartilhamentos e conflitos. Afinal, aprendemos muitas coisas com as pessoas
mais velhas de nossas famílias e, em muitas coisas, também discordamos deles,
pois tentamos fazer à nossa maneira. Não é mesmo?
Ao longo de
nossas vidas estamos sempre no campo das instituições: a família, a escola, a
igreja, o clube, o trabalho, o Estado, só para citar algumas. Se você observar
melhor, todas essas instituições são formadas por relações sociais. Essas
relações seguem um conjunto de regras. Por sua vez, de acordo com as regras, os
participantes dessas relações esperam um dos outros determinados tipos de
comportamento. No entanto, nem sempre as pessoas se comportarão de acordo com o
que as outras esperam. Não é mesmo? Neste sentido, conforme propõe o sociólogo
Peter Berger (2004) a instituição pode ser entendida como “um padrão de
controle, ou seja, uma programação da conduta individual imposta pela
sociedade". Pense nisso!
* Este material é uma adaptação dos Módulos produzidos
pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro intitulado “Ciências
Humanas e suas tecnologias” de autoria da CECIERJ