4ª ATIVIDADE
Disciplina de Sociologia
Seção 1 – Unidade I
Conhecimento sociológico e senso comum
A Sociologia corresponde às três disciplinas das Ciências Sociais:
Sociologia, Antropologia e Ciência Política.
Conheceremos algumas ferramentas das Ciências Sociais que podem
contribuir para olharmos o mundo e o nosso cotidiano de forma mais crítica.
Passearemos brevemente pelos autores considerados mais importantes nessa área.
Iniciaremos nossa unidade abordando o tema conhecimento
sociológico, para entender em que sentido ele se diferencia de outras
formas de conhecimento.
Conhecer, segundo o
dicionário Aurélio de língua portuguesa, é ter noção, conhecimento, informação
e saber.
Figura
1: Temos como sinônimos de conhecimento os substantivos ideia, noção,
informação, notícia, ciência, prática da vida, experiência, discernimento,
critério, apreciação, consciência de si mesmo e acordo.
Estes são substantivos que nos são extremamente familiares, e nos
remetem a habilidades que todos nós vamos desenvolvendo ao longo da vida. Mas,
há muitas formas e maneiras de obter ou produzir conhecimento. O que será que
diferencia o conhecimento sociológico de outras formas de conhecimento?
Chamamos de senso comum
o conhecimento que resulta de opiniões geralmente aceitas de modo acrítico como
verdades, comumente compartilhadas por indivíduos de uma determinada época,
local ou grupo social. É uma forma de conhecimento baseada muitas vezes no
pensamento mais imediato, resultante da experiência de vida cotidiana, que, por exemplo, associa
os comportamentos dos indivíduos à natureza humana, ao invés de relacioná-los à cultura. Estes pensamentos muitas
vezes nos são transmitidos a partir dos meios de comunicação de massa, uma vez que
podem representar a expressão de muitas pessoas.
O
senso comum é indispensável à continuidade das nossas vidas porque muito do que
aprendemos para o dia a dia, chega até nós, desde a mais tenra infância, por
meio de conhecimento transmitido a partir do senso comum.
Mas
importantes sociólogos alertam: quando repetidos muitas vezes, os fatos tendem
a se tornar familiares, e o que é familiar costuma ser considerado autoexplicativo,
por vezes não apresentando problemas, por vezes não despertando muita curiosidade.
O conhecimento sociológico por sua vez, visa refletir
criticamente sobre os fatos, fenômenos e acontecimentos sociais, a partir de
ferramentas próprias da Sociologia, na tentativa de extrapolar os sentidos do
senso comum. Muitas vezes o conhecimento sociológico nos faz olhar por outros
ângulos, nos deslocando daquilo que já conhecemos e nos lançando a caminhos que
estão a ser descobertos. A Sociologia, ao contrário do senso comum, atina-se a
um discurso responsável, utilizando os atributos da ciência para se distinguir
de outras formas de conhecimento.
O
saber sociológico pode oferecer algo que o senso comum, por mais rico que seja,
não poderia dar. Mas qual seria a diferença entre um tipo de conhecimento e
outro, então?
Para Bauman e May (2010), dois
sociólogos contemporâneos, a Sociologia e o senso comum diferem quanto ao
sentido que cada um atribui à vida humana em termos de como entendem e como
explicam os eventos, circunstâncias, fatos, fenômenos e culturas. Pensar sociologicamente é dar sentido
à vida através da análise das numerosas teias de interdependência humana. O objetivo maior da disciplina seria
então a compreensão. Pensar sociologicamente pode nos tornar mais abertos em
relação ao que é diferente ou ao que não conhecemos; pode nos ajudar a tentar
estranhar o que é considerado natural. Quanto mais viável for essa aventura,
mais flexíveis os indivíduos serão, e mais poder terão!
O nascimento da
Sociologia
A
Sociologia é uma disciplina que nasce no século XIX como resposta às grandes
transformações socioeconômicas da Europa. Você deve ter visto em História que a
desintegração da ordem feudal, o Renascimento e o Iluminismo, deram os
contornos para a sociedade capitalista. Foram base para esses contornos as
mudanças que o mundo viu a partir dos séculos XV e XVI e as novas configurações
políticas, sociais, econômicas e culturais trazidas pelas Revoluções Industrial
e Francesa no século XVIII. A Sociologia surge, portanto, num contexto de
revoluções, e há diferentes correntes sociológicas para a compreensão desta
nascente sociedade moderna.
São
três os principais pensadores da Sociologia: Karl Marx, Max Weber e
Émile Durkheim, que se tornaram os clássicos da disciplina, e são
considerados seus fundadores. Esses
pensadores estavam tentando entender o sentido das transformações sociais e dar
conta da complexidade e atrocidades de um mundo industrializado, que produziu novas
diferenças entre grupos sociais.
Cada
um desses autores está ligado a uma corrente filosófica e a um contexto social
específico. Estes intelectuais estabeleceram abordagens conhecidas até hoje por
todos os que estudam Ciências Sociais. Suas ideias e obras se difundiram pelo
mundo, inspirando muitas gerações de sociólogos em vários países. Por isso eles
são considerados clássicos da disciplina.
Você pode fazer o exercício de pensar que muitos acontecimentos da vida social ainda podem ser analisados a partir das sugestões desses intelectuais.
As ferramentas dos sociólogos são
os conceitos, as ideias e as noções. Eles visam sintetizar as representações mais
gerais e abstratas do que queremos falar. É a partir deles que analisamos a
realidade social.
Vejamos as principais ferramentas dos clássicos da
Sociologia, para em seguida fazer um exercício que vai nos fazer refletir sobre
senso comum e conhecimento
sociológico.
Karl
Marx (1818 – 1883) é um teórico clássico do pensamento sociológico que tem exercido
grande influência na Sociologia e na política no mundo inteiro. Foi um autor muito
preocupado com a opressão das forças econômicas da sociedade capitalista. Escreveu
muitas obras, sendo a principal e a mais popular - O Capital, em que aborda o
sistema capitalista. Este autor explica a história a partir da luta de classes,
o conflito e o confronto entre duas classes sociais antagônicas na luta por
seus interesses:- a burguesia e o proletariado. No modo de produção capitalista,
temos um antagonismo entre a burguesia, classe social que detém os meios de
produção (fábricas, terras, capital), e o proletariado, classe social
representada pelos trabalhadores, obrigados a vender sua força de trabalho. Em
Marx, o papel do pensamento sociológico é a transformação da sociedade, que
tende ao conflito de classes.
Max Weber (1864-1920) Na Alemanha, Weber foi um autor bastante preocupado em definir métodos e ferramentas de trabalho para os sociólogos. Este autor também se preocupou em estudar o capitalismo, mas prestou especial atenção à cultura e aos significados da ação dos homens na criação desse capitalismo. Sua principal obra foi “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, na qual aborda as relações entre política, economia e crenças religiosas. Diferentemente da perspectiva de Durkheim, para ele, a sociedade se forma a partir do conjunto de ações dos indivíduos. Por isso, um dos conceitos fundamentais em sua obra é o de ação social: é o homem que determina o sentido de seus atos. A tarefa da Sociologia é compreender o sentido que o ator social atribui à sua conduta. A ação torna-se social na medida em que cada indivíduo age levando em conta a reação dos outros indivíduos.
Max Weber (1864-1920) Na Alemanha, Weber foi um autor bastante preocupado em definir métodos e ferramentas de trabalho para os sociólogos. Este autor também se preocupou em estudar o capitalismo, mas prestou especial atenção à cultura e aos significados da ação dos homens na criação desse capitalismo. Sua principal obra foi “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, na qual aborda as relações entre política, economia e crenças religiosas. Diferentemente da perspectiva de Durkheim, para ele, a sociedade se forma a partir do conjunto de ações dos indivíduos. Por isso, um dos conceitos fundamentais em sua obra é o de ação social: é o homem que determina o sentido de seus atos. A tarefa da Sociologia é compreender o sentido que o ator social atribui à sua conduta. A ação torna-se social na medida em que cada indivíduo age levando em conta a reação dos outros indivíduos.
Émile Durkheim (1858 – 1917) é considerado um dos primeiros teóricos da Sociologia, instituindo-a como disciplina na França. Para este autor, a sociedade funcionava como um organismo exterior e superior aos indivíduos, manifestando-se a partir de um conjunto de crenças, tendências, leis, normas, regras e práticas do grupo tomadas coletivamente, que determinam a maneira de ser e agir dos indivíduos. Para ele a tarefa da Sociologia é a de organização da sociedade, a partir da descoberta das suas leis de funcionamento, através do estudo dos fatos sociais maneiras de agir, de pensar e de sentir gerais, exteriores ao indivíduo e que se impõe de forma coercitiva. Eles são fenômenos sociais que devem ser observados pelo cientista de forma objetiva.




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